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Instalando um Linux no Pen Drive

Ubuntu sobrevive ao desafio hacker

Quando Charlie Miller chegou para tentar invadir o recém-lançado MacBook Air com o OS X 10.5.2 (Leopard) -o mais recente representante da linhagem dos sistemas operacionais que já teve fama de praticamente inviolável-, havia expectativa se ele conseguiria ser o primeiro hacker a vencer o desafio PWN TO OWN 2008. Miller já chamou o desafio de “Superbowl dos hackers”, em alusão à grande disputa do futebol americano.

Era o segundo dia do desafio. No primeiro, com regras mais rígidas, os três sistemas a serem desafiados -OS X, Ubuntu e Vista- passaram incólumes.

Enquanto Miller calmamente conectava seu desgastado MacBook Pro ao fininho Air, cerca de 20 pessoas se postaram à sua frente. Ele tinha 30 minutos para usar uma falha que o permitisse acessar, na vítima, um arquivo escolhido pela organização do evento.
Cerca de três minutos depois, ele disse: “Está feito”, para gritos e aplausos da platéia. “Foi fácil”, mas faltava checar.

Um dos organizadores -aquele que entrou em um site com um código malicioso criado por Miller, como permitia a regra para o segundo dia- sorriso no rosto, verificou aqui e ali. Estava feito.

Miller então teve que assinar um documento garantindo que ele não vazaria as informações sobre o bug antes que a falha utilizada fosse corrigida. Foi divulgado, apenas, que era um problema no Safari.

Miller já sabia o que fazer. “Trabalhei nisso [no bug] cerca de uma semana”, disse ele à Folha. Questionado se esse tipo de concurso não era prejudicial, pois jogava luzes sobre problemas que poderiam ser utilizados por criminosos, Miller respondeu: “Não. Agora a Apple vai conhecer a falha e corrigi-la. Se não fosse assim, ela continuaria lá. Como existem diversos outros bugs para serem explorados.”

Miller, que trabalha na empresa de segurança digital Independent Security Evaluators, é conhecido por ser um dos primeiros hackers a descobrir uma falha que permite invadir o iPhone.

Resta um

No terceiro dia, quando o Air já não estava na disputa, os computadores receberam populares programas desenvolvidos por terceiros -o navegador Firefox e o OpenOffice, por exemplo.

Depois de algumas horas tentando, um trio utilizando um MacBook Pro conseguiu explorar uma falha no Flash e invadir o Windows Vista. Restou intacto o Ubuntu, para a surpresa dos organizadores. Shane Macaulay, que ajudou a invadir o Vista, já havia contribuído para invadir um Mac no ano passado.

E se o sistema operacional mais usado fosse o Linux?

Eu compreendo o indivíduo que declarou ter problemas em passar do Windows para o Linux


Senti o mesmo ao experimentar o Windows. Decidi experimentá-lo, depois de alguns amigos que o usam a toda a hora me dizerem que era ótimo.

Fui até ao site da Microsoft para baixá-lo mas não estava lá disponível.

Fiquei frustrado porque não consegui descobrir como se baixava o mesmo. Por fim tive que perguntar a um amigo e ele disse-me que tinha de o comprar.

Fui até o  carro, fui até à Staples e pedi a um dos vendedores uma cópia do Windows. Ele perguntou-me qual, eu disse-lhe: “Quero a mais completa, por favor” e ele respondeu: “São ?599, por favor…”. Soltei um palavrão e voltei para casa de mãos abanando.

Um dos meus amigos deu-me uma cópia do Windows XP mas disse-me para não dizer nada a ninguém. Achei estranho porque faço sempre cópias do Linux para qualquer pessoa que me peça e digo sempre para passar essa cópia a qualquer outra pessoa que esteja interessada, uma vez que já precisem dela.

De qualquer forma coloquei o CD no leitor e esperei que iniciasse o sistema do “Live CD”. Não funcionou. A única coisa que fazia era perguntar-me se o queria instalar. Telefonei para um dos meus amigos, para saber se estava a fazer alguma asneira, mas ele disse-me: “O XP não roda o sistema diretamente do CD”.

Decidi, então, instalá-lo. Segui as instruções que apareciam na tela mas comecei a ficar nervoso porque não perguntou nada sobre os outros sistemas operacionais. Quando instalei o Linux, ele reconheceu que tinha outros sistemas operacionais na máquina e perguntou-me se queria criar uma nova partição e instalar o Linux lá. Voltei a ligar para o meu amigo e ele
disse-me que o Windows elimina qualquer outro sistema operacional que encontra, ao instalar-se.

Fiz uma cópia de segurança das minhas coisas e joguei-me de cabeça na instalação. A instalação foi bastante simples, tirando a parte em que tive que escrever umas letras e um código. Tive de ligar outra vez para o meu amigo mas ele ficou chateado e veio escrever ele próprio o código. Voltou a dizer-me para não dizer nada a ninguém (!!!).Depois de reiniciar o
computador, dei corrida de olhos pelo sistema.

Fiquei chocado quando me deixou mudar as configurações do sistema sem pedir o acesso de root. O meu amigo começou a ficar um bocado irritado quando liguei outra vez para ele, mas acabou por aparecer em minha casa. Disse-me que o acesso de root era dado logo na inicialização. Tratei logo de fazer outra conta de usuário normal e passei a usá-la.

Comecei a ficar confuso quando tentei fazer mudanças e o sistema, ao invés de pedir acesso de root, disse-me que tinha que fechar a sessão de utilizador normal e abrir uma sessão como administrador. Comecei, então, a perceber porque é que tantas pessoas entram sempre como root e tive um arrepio na espinha.

Bom, mas já era hora de trabalhar. Fui ao menu “Iniciar -> Programas”, para abrir uma planilha que eu precisava terminar, mas não consegui encontrar a aplicação de planilhas. O meu amigo disse-me que o Windows não trazia nenhuma aplicação dessas e que eu teria que a baixar da Internet. “Oh…”, pensei, “uma distribuição básica”. Fui ao “Adicionar/Remover Programas” do painel de controle (tal como no Linux), mas não havia lá programas para adicionar. Apenas deixava remover os programas. Não consegui encontrar o botão para adicionar

aplicações. O meu amigo disse-me que eu tinha que procurar as aplicações por minha conta. Depois de muita pesquisa no Google, lá encontrei, descarreguei e instalei o OpenOffice.org.

Para dizer a verdade, diverti-me à brava com o Windows. Não entendi muito da terminologia… porque é que há um drive A, depois um C… onde é que está o drive B? Achei a distribuição demasiado básica, não inclui nenhuma aplicação que seja verdadeiramente de produtividade e
torna-se muito confuso procurá-la. O meu amigo disse-me que eu precisava de software anti-vírus e anti-spyware, mas o Windows não vinha com nada disso.

Achei-o difícil, confuso e demasiado trabalhoso para mim. Pode ser bom para uma pessoa que seja do tipo técnico, como o meu amigo, mas eu fico-me pelo Linux, obrigado.

Kernel 2.6.29: O Linux está com o diabo (da Tasmânia)!

Treze semanas. Foi esse o tempo necessário para a equipe de desenvolvimento do kernel Linux partir da versão 2.6.28 e chegar à 2.6.29. Em 89 dias (quase 13 semanas), o “Erotic Pickled Herring” deu lugar ao “Temporary Tasmanian Devil” (você sabia que as versões do kernel têm apelidos como esses?).

Embora os 10.933 arquivos alterados desde 24 de dezembro último não sejam exatamente um recorde (as duas versões anteriores tiveram mais que isso), a verdadeira surpresa está nas mais de 1,3 milhões de inserções de código – essas sim constituem um novo recorde.

As novidades, como se pode imaginar, não são poucas: dois novos sistemas de arquivos (e avanços no ainda recente Ext4), o progresso do mode-setting de vídeo baseado no kernel (KMS, para os íntimos), o suporte a redes WiMAX e uma série de alterações que já começaram a reduzir significativamente o tempo de inicialização do kernel – essas são apenas as mais chamativas, mas há muitas outras, como o Tuz, novo mascote do Linux que substitui temporariamente o adorável pinguim Tux durante a inicialização do sistema.

Sistemas de arquivos

O acesso a disco ainda é um dos principais gargalos do desempenho na maioria dos sistemas, tanto desktops quanto servidores – e até em alguns sistemas embarcados. Com tempos de acesso bem maiores que o restante do sistema, o armazenamento em disco continuará atrasando a computação como um todo até encontrarmos uma forma barata para guardar nossos incalculáveis volumes de dados.

É por isso que, além dos avanços nas tecnologias de armazenamento, como discos Flash e discos rígidos giratórios mais velozes e confiáveis, os sistemas de arquivos têm uma importância tão fundamental.

O kernel 2.6.29 finalmente trouxe o suporte ao sistema de arquivos de próxima geração Btrfs (pronuncia-se “better FS” ou “butter FS”, à sua escolha). Seus recursos são baseados no poderoso ZFS da Sun e ele está sendo desenvolvido por uma grande equipe de programadores muito capazes. Porém, a má notícia é que ele ainda está em desenvolvimento, e sua inclusão na árvore principal do kernel servirá justamente para acelerar a estabilização do código para que o Btrfs amadureça o mais rápido possível. Por enquanto, ainda não é possível confiar nele para conservar seus dados.

O SquashFS, no entanto, já é conhecido por usuários de Live CDs há tempos, mas somente agora passa a integrar a árvore principal do kernel. Seu “concorrente” CramFS, outro sistema compactado e somente-leitura que já residia no kernel há algum tempo, não parece estar muito vivo, e o SquashFS é perfeitamente competente.

O recente Ext4, introduzido como sistema de arquivos estável na última versão do kernel, recebeu melhorias e correções que o tornam mais adequado para uso em discos Flash. Uma das mais interessantes é a possibilidade de não utilizar o journal, introduzida por Ted Ts’o após o desenvolvedor descobrir que muitas pessoas utilizavam o venerável Ext2 – com todas as suas importantes limitações – nessas mídias apenas por não quererem sobrecarregar seus discos Flash com as constantes atualizações do journal.

Além disso, o sistema de arquivos distribuído OCFS2 finalmente passa a contar com suporte a ACLs, atributos de segurança, cotas e verificação (checksum) de metadados.

Vídeo

Os trabalhos da transferência do mode-setting de vídeo para dentro do kernel (e para fora do driver do X.org) começaram há 21 meses, acompanhados pelo desenvolvimento da infraestrutura de gerenciamento de memória gráfica GEM, e agora esse recurso já pode ser usado com chips gráficos Intel. O KMS (kernel-based mode setting), além de trazer melhor desempenho e simplificar o uso de chips gráficos, também resolve vários problemas da suspensão do sistema para a memória.

Rede

As redes sem fio jamais serão as mesmas quando o WiMAX começar a ser comercializado. Com até 75 Mbps e alcance medido em quilômetros, o padrão encabeçado pela Intel e baseado no IEEE 802.16 finalmente chegou ao Linux, primeiramente apenas com drivers para os dispositivos Intel Link 5×50, que funcionam por meio dos barramentos SDIO ou USB.

Nas redes sem fio tradicionais (IEEE 802.11), o sistema do demônio da Tasmânia disfarçado de pinguim (temporariamente, lembre-se) agora ganha também a capacidade de trabalhar como ponto de acesso mediante a instalação do hostapd.

Inicialização rápida

Arjan van de Ven continua dedicado a acelerar o processo de inicialização do kernel. Após os avanços perceptíveis implementados na versão 2.6.28, a 2.6.29 torna o cenário ainda melhor, pois começa a paralelizar a inicialização de subsistemas que não sejam interdependentes.

Infelizmente, alguns problemas desse paralelismo adiaram sua estreia para a versão 2.6.30, embora toda a infraestrutura já esteja presente e possa ser ativada na configuração e em tempo de incialização.

CPUs aos milhares

Se você estava feliz com seu computador de 4, 8 ou 16 núcleos – ou talvez 128, se você for uma pessoa influente –, saiba que o Linux agora suporta até 4.096 processadores. Para lidar com tantos processadores, são necessárias algumas alterações à forma como o sistema se refere a cada um deles, assim como o meio para se comunicar com eles. Então, junto com o novo limite superior, o kernel 2.6.29 traz o Tree RCU, um mecanismo hierárquico para acesso aos processadores que elimina graves problemas de desempenho enfrentados por sistemas com centenas de CPUs.

Demais

Outras novidades trazidas pelo Linux 2.6.29 incluem a criptografia de nomes de arquivos sob o eCryptfs, a capacidade de paralisar a atividade de determinados sistemas de arquivos para fins de becape ou snapshots, alterações na forma como o kernel lida com credenciais (usuário, grupo etc.) de processos, implementação do Xenfs para permitir a interação do Xen com o restante do sistema

Adeus, velharia

Uma decisão particularmente polêmica dos desenvolvedores do kernel deu cabo da compatibilidade do Linux 2.6.29 com as versões 3.0, 3.1, 4.1.0 e 4.1.1 do compilador GCC – o único capaz de compilar o kernel na atualidade.
Futuro

Para a versão 2.6.30, já podemos esperar algumas novidades. O sistema de arquivos Ext4 certamente contará com alguns patches para resolver um problema de perda acidental de dados após quedas do sistema, em decorrência do recurso de adiamento da alocação de blocos. Outra novidade deve vir do novo (sim, mais um) alocador de páginas de memória, o SLQB, para substituir o antigo SLAB e o mais recente SLUB.

Na área da segurança, os desenvolvedores têm falado bastante na plataforma Tomoyo, que deve ser integrada ao kernel no futuro, embora dificilmente a tempo para o 2.6.30.

Créditos: LinuxMagazine.com.br

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